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Brinquedos e Brincadeiras Ilimitadas

Será que é preciso brinquedos para brincar?


Não há muito tempo, talvez no tempo dos nossos pais (os avós de hoje), as brincadeiras ocorriam em cada esquina. Uma pedra, um pau, uma folha, um bicho de conta, tudo servia para brincar, imaginar, criar! Hoje vemos as crianças entediadas e sem saber ao que brincar. Damos um mundo de brinquedos a elas, mas ao mesmo tempo retiramos esta capacidade de brincar com qualquer coisa em qualquer lugar!



Tenho algumas recordações da infância e nos primeiros anos de escola, à parte da humilhação de ter de levantar a mão e pedir para fazer xixi ou cocó, lembro-me com muito carinho, que íamos com regularidade a um terreno fora da escola onde brincávamos livremente, os troncos das árvores viravam fogões e esmagávamos folhinhas a fingir que era comida.


Já no 5º ano, enquanto esperávamos pelo autocarro, escavávamos a areia da arriba fóssil e encontrávamos fósseis.


Em família também íamos muitas vezes à Mata dos Medos ou a uma pequena mata existente perto de casa.


No 9º ano, ao ter de decidir qual a área que iria seguir, fiquei dividida, pois não me imaginava a trabalhar fechada num escritório.


Sempre que podia, estudava com amigas na natureza, sentíamos que sair dum espaço fechado, fazia com que estudar fosse mais divertido e sem aquele sentimento de castigo.

Mas depois acabei por trabalhar em escritórios nas áreas de recrutamento, formação e desenvolvimento, até que em 2012 após ter o meu primeiro filho e ter de o deixar numa creche, comecei à procura de algo que nos fizesse sentido. Esta busca levou-me até à Rede de Educação Viva, da qual faço parte do núcleo Almada Seixal, e a aprender mais sobre educação. Fiz formação com o José Pacheco, fundador da Escola da Ponte, acérrimo defensor de trabalho de projeto, comunidades de aprendizagem e do currículo individual. No início de 2019, fiz a formação Forest School Leader com Patrick Harrison e a convite comecei a colaborar com ele.


Movimento Forest School em Portugal


Patrick Harrison e Marta Silva são os 2 responsáveis pelo movimento Forest School em Portugal. A Marta conheceu este conceito há vários anos e ponderou fazer a formação em Inglaterra, mas o custo da formação era altíssimo. Criou então uma página no Facebook – Forest School em Portugal e convidou Patrick Harrison a dar formação cá. Conseguiu o número mínimo de pessoas interessadas (difícil, que a formação rondava os 1000 euros!), depois dessa formação, mais pessoas interessadas aparecerem e ao longo destes 3 anos, o Patrick já formou mais de uma centena de pessoas cá.



Associação Escola da Floresta


Com a primeira formação dada pelo Patrick aqui na Costa da Caparica surgiu vontade por parte dos formandos de criarem a Associação Escola da Floresta.





Como é a formação?


A aprendizagem é feita em dois tempos, sempre em contexto de floresta. Numa primeira fase o grupo de participantes está com o formador a vivenciar sessões práticas nas quais são utilizadas diversas dinâmicas e jogos fundamentais no processo de aprendizagem onde se aprende técnicas de utilização de ferramentas, introdução à utilização de lonas e nós, construção de abrigos e objetos com materiais naturais, introdução à realização de fogo, avaliação de risco e impacto ambiental, processos de avaliação e monitorização utilizando uma metodologia enquadrada na Forest School.



Numa segunda fase, existe um trabalho de pesquisa, onde é elaborado um portefólio sob orientação do formador, e implementação, que pressupõe a realização de 6 sessões de Forest School num local em ambiente natural (mata ou floresta) com crianças, sendo cada participante responsável pela sua organização e implementação.


O que é Forest School

Forest School ou Escola da Floresta é um modelo de ensino ao ar livre no qual os alunos visitam espaços naturais para aprender habilidades pessoais, sociais e técnicas. Foi definido como "um processo inspirador que oferece a crianças, jovens e adultos oportunidades regulares de alcançar e desenvolver a confiança através da aprendizagem prática em um ambiente florestal".


Benefícios


As sessões Forest School trazem como benefícios:

- a Promoção da interação e espírito de interajuda e de grupo;

- a melhoria da relação com o outro;

- autoavaliação das próprias capacidades e valorização da autoconfiança;

- uso e desenvolvimento da criatividade;

- tomada de consciência da relação homem-natureza;

- respeito pelos outros e pelo meio ambiente;

- aumento da resistência física e do sistema imunitário;

- maior alegria e bem estar (toda a envolvente nos faz descontrair)




Esta abordagem é inclusiva tendo ótimos resultados inclusive com crianças com algum tipo de necessidade especial, porquê? Porque na Forest School, todos os participantes são vistos como:

• iguais, únicos e valiosos

• competentes para explorar e descobrir

• tendo direito a experimentar riscos e desafios apropriados

• tendo direito de escolher e iniciar e dirigir a sua própria aprendizagem e desenvolvimento

• tendo direito a experimentar sucesso regular

• tendo direito a desenvolver relacionamentos positivos consigo mesmos e com outras pessoas

• tendo direito a desenvolver um relacionamento forte e positivo com seu mundo natural

Esta abordagem centrada no aluno entrelaça-se com o potencial e os desafios do mundo natural ao longo das estações, para preencher todas as sessões e programas da Forest School com descobertas e diferenças.



Os princípios da Forest School

• ser um processo de longo prazo de sessões regulares, em vez de visitas pontuais ou pouco frequentes; o ciclo de planeamento, observação, adaptação e revisão vincula cada sessão.

• ocorrer numa floresta ou ambiente natural para apoiar o desenvolvimento de um relacionamento entre o aluno e o mundo natural.

• usar uma variedade de processos centrados no aluno para criar uma comunidade, desenvolvimento e aprendizagem.

• promover o desenvolvimento holístico de todos os envolvidos, promovendo alunos resilientes, confiantes, independentes e criativos.

• oferecer aos alunos a oportunidade de assumir riscos suportados, apropriados ao meio ambiente e a eles próprios.



Importância do Brincar e Pirâmide de Aprendizagem

Um estudo recente, financiado pela Lego, chega à conclusão que as aprendizagens até aos 8 anos devem ser feitas através da brincadeira. Brincar é um assunto sério, e a nossa sociedade cada vez mais desvaloriza isso. Com a ânsia de que os filhos sejam bem-sucedidos, colocamos objetivos e metas cada vez mais cedo. E as crianças começam a sentir a pressão.

Mas será que as crianças só aprendem se as ensinarmos? Será que elas não nascem já com esse dom?

Eu até vou mais longe…e diria que que também os adultos aprendem melhor através de brincadeiras/jogos. Sendo eu da área da formação, tenho constatado uma evolução nesse sentido. Com a revolução tecnológica, vieram os slides, as projeções, e alguns formadores ficam agarrados ao que estão a projetar, o que faz com que muitas vezes essas formações se tornem aborrecidas (chega a haver pessoas a passar pelas brasas), e na melhor das hipóteses retêm apenas parte da informação passada. Existem várias teorias de aprendizagem e William Glasser explica através da aprendizagem, que retemos 10% do que lemos, 20% do que ouvimos, 30% do que observamos, 50% do quando vemos e ouvimos, 70% quando discutimos com os outros, 80% quando fazemos e 95% quando ensinamos a outros.

Hoje na formação de adultos já se fala de gamificação, ié, proporcionar a aprendizagem em formato de jogo.


Teoria das Inteligências Múltiplas Howard Gardner


A educação ao ar livre, na natureza, permite todas as aprendizagens do currículo nacional.

O que a torna tão diferente é que ele se concentra na criança - de onde a criança vem e para onde quer ir. Concentra-se em descobrir a maneira inata da criança interagir com o mundo e conhecê-lo, em vez da abordagem usual de "tamanho único". Todas as outras práticas têm a capacidade de fazer isso, mas a diferença é que a Forest School faz isso de forma consciente e intencional, Howard Gardner explica issso na Teoria de Inteligências Múltiplas.

Os profissionais são treinados para compreender as pesquisas e desenvolvimentos mais recentes no método e na prática do ensino, de modo que obtenham as ferramentas para ver o processo de aprendizagem, aumentando assim as oportunidades da criança de aprender com mais eficiência.

Há muitos fatores que contribuem para a aprendizagem na floresta, desde a comunicação e competências sociais desenvolvidas através do trabalho em equipa em projetos reais, até o sentimento de orgulho individual e autoestima, experimentados depois de fazer um abrigo que mantém seus ocupantes aquecidos e secos da chuva.




Sessões Forest School


Quem quiser experimentar, estamos a dinamizar sessões Crescer na Natureza no Parque da Paz.


Podem obter mais informações através do site, instagram ou facebook.


Se quiserem levar estas sessões as escolas dos vossos filhos entrem em contacto.






GreenEyes


O projeto GreenEyes pretende ajudar famílias e escolas a implementar esta abordagem pedagógica, através de formação e consultoria para que as crianças se conectem com a natureza e possam ser elas o centro da aprendizagem ao contrário do sistema de ensino tradicional e considerem o desenvolvimento da criança em todas as competências (sociais, físicas, intelectuais, comunicacionais, emocionais e espirituais). Pretende também levar os benefícios do contacto com a natureza às empresas, através de formação ao ar livre e ações de teambuilding, com base na cooperação e gestão de competências.



GreenEyes, Aprender a olhar através da natureza!


 
 
 

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